Escola na Moldávia

Estive a semana passada na Moldávia no âmbito do projecto DICSIM (Developing ICT capable schools in Moldova) financiado pelo programa TEMPUS. Para além das reuniões, seminários e workshops com coordenadores TIC das escolas, tive a oportunidade de visitar uma escola rural perto de Calarasi, a quase uma hora de viagem de Chisinau. A escola, Stefan cel Mare (um herói nacional) foi-nos mostrada pelo coordenador TIC da escola (e professor de Física e Matemática), o Sergiu, um excelente anfitrião. Eu e o Xavier, da Universidade de Alicante, conhecemos ainda uma familía de professores, com quem estivemos na conversa num dos cafés da vila de 4000 habitantes. Boas gentes.

Um professor ganha 120 dólares em média, embora os mais velhos possam chegar a mais de 300. Um dos professores, Simion, esteve também na Grécia a trabalhar, e abriu uma escola de arte para crianças na vila, a qual nos mostrou. Ofereceu-nos ainda um disco vinil pintado por um dos alunos (o vinil era de um grupo russo e se calhar ainda funciona num giradiscos apesar de pintalgado). Visitámos depois a escola, recentemente retocada com novas janelas e portas, e contactámos com a realidade das escolas rurais, que era isso que queríamos. Em Setembro passado tinha visitado uma escola em Chisinau, mas era de classe alta e tinha mais recursos. Na escola a sala de 12 computadores era bastante boa, com rede interna, acesso à Internet e wireless (há apenas 2 em toda a Moldávia com wireless) muito pelo entusiasmo do Sergiu. Só tivemos oportunidade de falar com um aluno, já que visitámos a escola tarde (o primeiro-ministro tinha estado na aldeia nesse dia e houve barreira policial até às 5 da tarde). Os jovens na maioria falam inglês e são simpáticos, estão por dentro do que se passa pela internet e gostam bastante de computadores.

Quanto às TIC na escola, alguns dos problemas de lá são como os de muitos países desenvolvidos: os professores são mais velhos, não os atraindo muito as tecnologias, e o uso que se dá não sai muito do powerpoint e de abordagens mais baseadas em instrução directa. Através do projecto, conseguimos colocar um kit de tecnologia que envolve uma máquina fotográfica digital que também faz vídeos, uma pen de 2GB, um projector e um portátil. Estamos a usar o Moodle para acompanhar a formação dos coordenadores TIC e dinamizar o uso do kit, com materiais de apoio aos professores. Algumas ferramentas web 2 também vão ser divulgadas. A ideia da máquina fotográfica é colocá-la nas mãos dos miúdos, pô-los no papel de criadores. Na próxima fase, vamos produzir os materiais de apoio e começar a dinamizar projectos nas escolas. Vamos ver.

Aqui ficam algumas fotos da escola, com algumas à mistura de Chisinau e da escola de arte.

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